Engraçado como a mente humana age nas nossas vidas...como em três horas passamos da esquizofrenia a sanidade, é pouco tempo não é? Pois é...
Hoje acordei com vontade de no quarto escuro ficar, no quarto escuro estar, sem vontade de levantar da cama. Seria a TPM, pensei, mas isso passa...seria tristeza por achar que devo terminar um relacionamento que eu achava que seria um namoro, irônico não? Mas se sim, isso passa, será que é por conta da chuva de ontem e que não consegui sair de casa? Mas isso passa...será que passa? E será que é isso mesmo?
Comecei a procurar uma música, quem sabe isso animaria meu dia, a primeira que veio a cabeça: “Time of life!”, trilha sonora do Dirty Dancing, tadinho do Patrick Swayze, pensei...e ai me toquei que realmente não era a música para animar meu dia mesmo, comecei a falar com meu melhor amigo, como religiosamente fazemos todas as manhãs...sim, podemos falar com nossos melhores amigos de manhã, faço isso sempre, e sempre me animo, mas hoje realmente estava difícil.
Pensei em colocar outra música: “Insensato Destino” do Arlindo Cruz. Samba???Aff...mas nesse momento pensei que, como a Regina Casé disse ontem, quem entra triste no samba, não consegue ficar nesse estado de espírito por muito tempo...pois é, obrigada Regina Casé, mas não rolou, fiquei até pior.
Decidi levantar, abri a janela do meu quarto, com minha camisola meio aberta e um olho aberto e outro fechado (não precisa se animar, não sou sexy mesmo quando acordo), e fui tomar banho. Nesse momento, iria colocar Shakira, “Loca”, para dançar muito no chuveiro, mas não estava no clima, então coloquei “Express” da Christina Aguilera, trilha do filme Burlesque (ótimas músicas, péssimo filme e atuação) e fui para debaixo do chuveiro.
Fiquei uma hora. Fazendo o que? Pensando, pensando e pensando...passou tanta coisa na minha cabeça...novamente o suposto relacionamento (que nesse estágio, eu já pensava que era tudo minha imaginação), no meu trabalho e de como eu não queria ir hoje, mas ao mesmo tempo como se faz necessário, na minha família, e como ela é complicada e não me entende (nesse momento me senti uma adolescente), na faculdade, e como eu queria fazer psicologia se nem eu me entendia (nesse momento bloqueei meu pensamento de tão ridículo), e no meu grande amor, que nesse, eu penso 25 horas do meu dia, sim, 25 e não 24, e se conseguisse, pensaria 30, mas nessa hora, me senti uma pessoa amarga, e me perguntei até quando viverei do passado? E ao mesmo tempo respondi a mim mesma...sempre que eu permitir!!!
Decidi sair do banho, afinal estava enrugada, e nem no banho quero parecer velha. Estava escovando os dentes e olhando a minha cara que naquele momento era patética, vendo os malefícios de uma paralisia facial, com meu olho menor que o normal, quando meu celular fez o barulho que eu adoro ouvir, recebi um sms. Pensei, não pode ser do meu amigo, nesse momento ele está embarcando para BH, só pode ser do futuro....
Pois é, não era, era a operadora me informando meu saldo, se nesse momento eles soubessem o quanto os odiei, pensei até em trocar de operadora, mas me achei ridícula, eles não tem culpa das minhas expectativas, afinal elas são minhas...
Uma lágrima escorreu do meu olho (nesse momento sim, é a TPM) e sentei na beira da cama. Em cima, estava minha bolsa, meu livro “A menina que roubava livros”, peguei meu pente, arrumei meu cabelo, peguei a pior parte, confesso, mas necessária, meu Renew e passei no rosto, coloquei-os em cima da cama e fui olhar na janela para ver que roupa eu ia trabalhar (nessa hora, já estava muito atrasada, mesmo).
De repente, olhei no prédio mais a frente ao meu, tinha uma mulher, com os braços levantados para o céu, como se estivesse rezando, ela olhava para baixo e balançava a cabeça, como se não pudesse se conformar com o que estava acontecendo, colocava as mãos ao rosto e levantava novamente. Em um certo momento, ela encostou na janela e parece que pensou em tudo que havia feito. Essa cena durou 40 segundos, nesse momento, eu a olhei, e pensei comigo que eu já tinha minha música para hoje: “You haven't seen the last of me”, da Cher.
Sim, isso parece piegas, ou clichê, mas é o que senti no momento, vontade de ouvir essa música e escrever sobre essa manhã.Todos nós somos bipolares, percebem? Será que estamos vivendo para sermos compreendidos? E quem disse que existe compreensão na vida?
As vezes, confesso, fico semanas, ou até meses sem conversar com Deus, fico o questionando, mas quem sou eu para questioná-lo? Reformulando, quem sou eu para questionar alguém? Quem sou eu para pensar em destruir tudo o que sinto, e quem sou eu para achar que tudo isso que escrevi acabou por que eu simplesmente decidi?
A vida não é tão simples quanto desejamos, quem fala isso no mínimo mente para si mesmo, a vida não é complicada por que NÓS queremos. Isso não existe, é irreal.A pessoa que inventou essa frase ridícula deve ter a vida perfeita, que ela determinou? Duvido....isso não existe. Sabe por que? Por que a vida perfeita é essa que vivemos, com suas diversidades, dificuldades e problemas.
E é incrível o que os nossos problemas fazem com a nossa mente. Eles se transformam em monstros, e doem mais do que uma topada do dedinho na beira da cama (dá arrepio só de pensar, nessa hora soltamos um belo filha da p***), mas viver é isso. Com 100 anos, o sentimento será sempre esse, que os nossos problemas são maiores que o universo.
Pois é, nesse momento eu mandei um sms ao meu chefe, dizendo que irei me atrasar e estou aqui escrevendo nesse blog (um pouco por influência do meu amigo, um pouco por que quero desabafar e não sei como) mas principalmente, para colocar para fora o que me atormentou nessas 3 horas de uma segunda-feira, dia 28 de fevereiro de 2011.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
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